quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Reencarnação no Hinduísmo

...Os sábios não lamentam nem os vivos nem os mortos.
Nunca houve nenhum tempo em que Eu fosse inexistente, nem você, e nem haverá futuro em que não existiremos.
Como a alma que se encarna passa sucessivamente, no mesmo corpo, da infância à juventude e à velhice, o mesmo se dá pela transmigração de um corpo a outro.
E os sábios não se perturbam com isso.
Oh, Arjuna, somente pela interação dos sentidos existe frio, calor, prazer e dor. Essas coisas são temporárias, surgindo e desaparecendo.
Então tente tolerar isso.
Ó valoroso entre os homens, saiba que quem mantém um sábio julgamento na tristeza ou na alegria, e em ambas se mantém imperturbável, é digno da liberação (Nirvana).
Os sabedores da Verdade concluíram, estudando a natureza dos dois: no irreal não há duração, e no real não há cessação.
Aquilo que pelo corpo se espalha é de natureza eterna. Ninguém pode destruir a nossa alma imperecível.
Só o corpo material certamente morrerá, mas a alma é eterna em existência, indestrutível e infinita. (...)
Quem pensa que a alma (ayam) pode matar ou morrer não entende a realidade, mas quem tem conhecimento sabe que a alma não mata e não pode ser morta.
Nem nascimento nem morte pode acontecer a alma.
Ela existe eternamente, e nunca é destruída quando o corpo perece.
Oh, Arjuna, como pode alguém que sabe que a alma é eterna, não-nascida e indestrutível e imperecível causar a morte de alguma pessoa? E a quem ele mata? Como quem muda de roupa e abandona as roupas velhas, a alma aceita um novo corpo descartando o corpo inútil.
Ninguém pode ferir a alma com nenhuma espécie de arma; não há fogo que a queime; a água não pode molhá-la nem pode o vento secá-la.
Nossa alma individual sendo imóvel e imutável, insolúvel, inquebrável e primordial. Sabendo, pois, que a alma é imperceptível, inconcebível e imutável, é impróprio pra você se lamentar.
(Bhagavad Gita cap. 2; 11-25)

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